O legado de Lucas Di Grassi na Formula E

Lucas Di Grassi: o legado de um dos maiores nomes da história da Fórmula E

Neste domingo, 16 de agosto de 2026, Lucas Di Grassi encerrou oficialmente sua carreira como piloto profissional no e-Prix de Londres. Aos 42 anos, o brasileiro deixa as pistas depois de construir uma trajetória que se confunde com a própria história da Fórmula E.

Desde o início do campeonato, Di Grassi esteve entre os protagonistas da categoria. Mais do que um piloto competitivo, tornou-se uma das figuras responsáveis por ajudar a transformar a Fórmula E em uma das principais categorias do automobilismo mundial.

Um dos pioneiros da Fórmula E

Quando a Fórmula E realizou sua primeira temporada, em 2014/15, a categoria ainda era uma grande incógnita. Os carros eram completamente diferentes dos monopostos tradicionais, as corridas aconteciam em circuitos urbanos e a tecnologia elétrica ainda despertava desconfiança entre muitos fãs do automobilismo.

Foi nesse cenário que Di Grassi aceitou o desafio de disputar a nova categoria pela Audi Sport ABT.

O brasileiro rapidamente mostrou que a Fórmula E poderia ser muito mais do que um campeonato experimental. Na temporada inaugural, venceu a primeira corrida da história da categoria, em Pequim, e terminou o campeonato como vice-campeão.

Aquele resultado seria apenas o começo de uma relação histórica.

Campeão da Fórmula E

O momento mais importante da carreira de Di Grassi na categoria aconteceu na temporada 2016/17.

Depois de uma disputa extremamente equilibrada com Sébastien Buemi, o brasileiro conquistou o título mundial da Fórmula E. Foi o primeiro campeonato de pilotos de sua carreira e também um marco para o automobilismo brasileiro.

A conquista veio em uma época na qual a categoria ainda buscava espaço no cenário internacional. Di Grassi passou a ser, portanto, não apenas campeão, mas também um dos principais representantes da Fórmula E durante seu processo de crescimento.

Mais do que números

Ao longo de sua passagem pela Fórmula E, Di Grassi acumulou vitórias, pódios, pole positions e disputas pelo título. Porém, seu legado não pode ser resumido apenas às estatísticas.

O brasileiro esteve presente em praticamente todas as fases da evolução da categoria.

Ele competiu desde a primeira geração de carros, acompanhou a introdução da segunda geração, disputou a era Gen3 e chegou à atual fase de desenvolvimento tecnológico da Fórmula E.

Em pouco mais de uma década, viu os carros evoluírem de monopostos que exigiam troca de carro durante as corridas para máquinas muito mais eficientes, rápidas e tecnologicamente sofisticadas.

Di Grassi também se tornou conhecido por sua capacidade de compreender a tecnologia e a estratégia por trás dos carros elétricos. Sua experiência em engenharia e sua participação ativa nas discussões sobre o desenvolvimento da categoria fizeram dele uma voz importante dentro do paddock.

Foram mais de dez anos competindo em uma categoria que mudou completamente durante sua carreira. Di Grassi começou em uma Fórmula E ainda experimental e se despede de um campeonato consolidado no cenário mundial do automobilismo.

O papel de Di Grassi na chegada da Fórmula E ao Brasil

O brasileiro teve papel importante na aproximação da Fórmula E com o público brasileiro e na construção do caminho para que o campeonato finalmente pudesse realizar uma etapa no país.

Como um dos principais embaixadores da categoria desde seus primeiros anos, Di Grassi participou ativamente da defesa da realização de uma corrida de Fórmula E no Brasil. Sua influência dentro do campeonato, aliada à sua capacidade de dialogar com autoridades, empresas e o público, ajudou a manter o projeto de uma etapa brasileira vivo durante anos.

O resultado desse trabalho veio em 2023, quando São Paulo recebeu pela primeira vez uma etapa da Fórmula E. O ePrix de São Paulo entrou para a história como a primeira corrida da categoria realizada em solo brasileiro, levando os carros elétricos às ruas do Anhembi e aproximando definitivamente o campeonato de uma das maiores comunidades de fãs de automobilismo do mundo.

Para Di Grassi, portanto, a relação com a Fórmula E não se limitou ao que acontecia dentro do cockpit. Ele foi também uma das vozes que ajudaram a construir a ponte entre a categoria e o Brasil.

Uma carreira que foi além da Fórmula E

Embora sua história esteja profundamente ligada à Fórmula E, Lucas Di Grassi também construiu uma trajetória relevante em outras importantes categorias do automobilismo mundial.

Antes de se tornar um dos grandes nomes da Fórmula E, o brasileiro chegou à Fórmula 1 em 2010, quando disputou a temporada pela Virgin Racing. Apesar de ter permanecido apenas um ano na principal categoria do automobilismo, a passagem representou o ponto mais alto de sua trajetória nas categorias de monopostos tradicionais.

Di Grassi também teve participação de destaque no Campeonato Mundial de Endurance (WEC). Pela Audi, integrou o programa de protótipos da fabricante e competiu nas 24 Horas de Le Mans, uma das provas mais tradicionais e importantes do automobilismo mundial. A experiência com os protótipos híbridos da marca ampliou ainda mais sua relação com tecnologias de eletrificação e eficiência energética, características que posteriormente se tornariam centrais em sua carreira na Fórmula E.

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Roberto Dias

Criador do Paddock Brazil

Entusiasta apaixonado por automobilismo, criei o Paddock Brazil em 2020 quando voltei a acompanhar a F1 e me surpreender que não havia uma brasileiro no grid.
Após isso percebi que pelo caminho até a F1, e em outras categorias haviam muitos pilotos representando o Brasil em categorias internacionais e também o próprio automobilismo nacional.

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